Commodities Diferenciadas e Produtos Não Transgênicos Ampliam Espaço no Mercado Internacional
Certificações e rastreabilidade impulsionam geração de valor e acesso a mercados premium
Reprodução Nem toda vantagem competitiva do agronegócio nasce do volume. Em fevereiro de 2026, uma parte relevante da disputa global por valor estava concentrada justamente naquilo que não aparece primeiro nos números brutos de safra: certificação, segregação logística, origem comprovada e capacidade de entregar commodities diferenciadas com rastreabilidade confiável.
O movimento ganhou força logo no início do mês, quando a mais alta corte da União Europeia reafirmou que os países do bloco têm o direito de proibir o cultivo de organismos geneticamente modificados em parte ou em todo o seu território. Embora a decisão trate de cultivo e não de importação, ela reforça um ambiente europeu historicamente mais sensível a produtos não transgênicos, o que ajuda a manter aquecido o interesse por cadeias com certificação e controle de origem.
Ao mesmo tempo, a agenda regulatória internacional seguiu premiando transparência. Mesmo com o adiamento da lei europeia antidesmatamento para grandes empresas até 30 de dezembro de 2026, a exigência de due diligence, prova de origem e demonstração de que as commodities não contribuíram para destruição florestal permaneceu no horizonte dos exportadores. Em vez de reduzir a importância da rastreabilidade, o novo prazo ampliou a corrida por adaptação estruturada.
É nesse ambiente que Anderson Pelissari de Souza se destaca como uma das vozes mais alinhadas ao tema. Sua trajetória profissional reúne atuação em governança corporativa, logística integrada, cadeia de suprimentos e decisão estratégica em uma companhia que ocupa posição relevante justamente no segmento de commodities diferenciadas e produtos não transgênicos. Anderson é acionista e integrante do Comitê de Negócio vinculado ao Conselho de Administração da Caramuru Alimentos, além de sócio-diretor administrativo do Grupo JBPS. Antes disso, passou por Arthur Andersen e Deloitte, com experiência em supply chain e gestão de risco.
No caso da Caramuru, o tema não é periférico. A própria companhia informa que seus produtos não transgênicos contam com certificação internacional, presença em mercados como Estados Unidos, Alemanha, Turquia, Coreia do Sul, Dinamarca e Itália, além do processamento de mais de 600 mil toneladas de soja não transgênica. A empresa também informa monitoramento de 100% dos fornecedores de matéria-prima e destaca rastreabilidade socioambiental como parte de sua cadeia.
Os dados de produção reforçam que se trata de um mercado de maior valor agregado, não de um nicho irrelevante. No relatório de sustentabilidade de 2024, a Caramuru informou produção de 1.792.982 toneladas de farelo de soja, 139.079 toneladas de concentrado proteico de soja, 10.458 toneladas de lecitina de soja e início da produção e comercialização de SPC em Itumbiara, com atenção específica ao farelo Hipro NGMO destinado ao exigente mercado europeu. O mesmo relatório afirma rastreabilidade de 100% da matéria-prima até o nível da fazenda na operação de biocombustíveis.
Anderson avalia que esse avanço não se explica por moda passageira, mas por transformação estrutural no comércio internacional. “O mercado premium não compra apenas produto. Ele compra previsibilidade, conformidade, documentação e confiança. Em commodities diferenciadas, a certificação não é um anexo da operação, ela é parte do valor.”
A leitura dele conversa com um dado importante do mercado brasileiro de não transgênicos. Segundo a ProTerra Foundation, apesar da safra recorde de soja no Brasil em 2025, estimada em 169 milhões de toneladas, a produção brasileira de soja não transgênica da temporada 2024/25 foi projetada em apenas 1,5 milhão de toneladas, o menor nível histórico do segmento. A fundação registra ainda que a demanda internacional continuava firme, especialmente de Alemanha e Noruega, enquanto a escassez de sementes certificadas limitava a capacidade de expansão da oferta brasileira. “Quando a oferta é limitada e o comprador exige padrão alto, a operação precisa ser ainda mais disciplinada. Não basta ter acesso ao grão. É necessário garantir identidade preservada, fluxo controlado e rastreabilidade robusta ao longo da cadeia.”
Entrevista com Anderson Pelissari de Souza
Pergunta: O que explica o maior espaço dos produtos não transgênicos no mercado internacional?
Anderson: Existe uma convergência entre preferência de determinados mercados, exigências regulatórias e busca por produtos com origem mais controlada. Isso favorece cadeias que conseguem entregar certificação, segregação e rastreabilidade com consistência.
Pergunta: Onde está o principal valor agregado dessas commodities diferenciadas?
Anderson: O valor está na confiança. O comprador premium precisa saber o que está adquirindo, de onde veio, como foi produzido e se a documentação sustenta essa narrativa. Quando isso existe, o produto deixa de competir só por volume.
Pergunta: O Brasil está preparado para ampliar essa presença?
Anderson: Tem capacidade, mas precisa de planejamento. O mercado não transgênico depende de semente certificada, compromisso antecipado, coordenação logística e disciplina operacional. Não é uma expansão improvisada.
Pergunta: Como a rastreabilidade entra nessa equação?
Anderson: Ela é central. Sem rastreabilidade, a certificação perde força. E sem certificação confiável, o acesso a certos mercados fica mais difícil. Hoje, rastrear bem é tão importante quanto produzir bem.
Pergunta: O tema deve ganhar mais peso nos próximos anos?
Anderson: Sem dúvida. A direção do mercado internacional é de maior exigência, não de menor. As empresas que se estruturarem agora terão vantagem importante na captura de valor.
Ao observar o mercado internacional, fica claro que a diferenciação deixou de ser um detalhe comercial e passou a ser uma estratégia de posicionamento. Em cadeias que exigem prova de origem, conformidade e controle técnico, commodities diferenciadas e produtos não transgênicos ocupam um espaço cada vez mais valioso. Nesse cenário, Anderson Pelissari de Souza se projeta como autoridade ao conectar governança, rastreabilidade e logística integrada à geração concreta de valor no agronegócio global.


