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Rio de Janeiro,02/06/2026

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Projetos mal compatibilizados geram perdas milionárias na construção civil

Especialistas defendem padronização técnica e gestão estratégica para evitar desperdícios e conflitos em obra

Mercurios
Projetos mal compatibilizados geram perdas milionárias na construção civil Reprodução

A construção civil brasileira entrou em 2026 sob pressão crescente por eficiência. Em um ambiente de custos elevados, cronogramas apertados e exigência maior por previsibilidade, falhas de compatibilização entre disciplinas deixaram de ser tratadas como deslizes operacionais pontuais e passaram a ser reconhecidas como fonte relevante de perdas financeiras. O debate ganhou força à medida que entidades do setor intensificaram a defesa de industrialização, inovação e padronização como caminhos para modernizar a cadeia produtiva. A CBIC, por exemplo, destacou em 2025 o Projeto Construção 2030 como iniciativa voltada à modernização da construção por meio de novas tecnologias, industrialização e inovação. 

Os custos ajudam a explicar a urgência do tema. A CBIC informou, em seu balanço do primeiro semestre de 2025, que o INCC acumulou alta de 54,41% entre janeiro de 2020 e junho de 2025, enquanto materiais e equipamentos avançaram 68,72% no mesmo intervalo. Com esse nível de pressão, qualquer erro de coordenação entre arquitetura, estrutura e instalações tende a pesar ainda mais no caixa das obras, seja por retrabalho, compra inadequada, paralisação de equipes ou replanejamento de execução. 

Não se trata apenas de percepção de mercado. Em artigo técnico publicado pela CBIC sobre Lean Construction, a entidade destacou que há consenso sobre o alto nível de desperdício na indústria da construção e citou estudos da Falconi em cerca de 300 obras de incorporação imobiliária com desvios médios relevantes de prazo e custo. A mesma análise associa perdas e desperdícios à baixa integração entre etapas e à necessidade de melhorar processos de produção e gestão. 

Nesse contexto, Vanessa Lessa Fraga dos Santos se posiciona como uma voz técnica particularmente consistente. Arquiteta e urbanista com mais de 15 anos de atuação, ela construiu sua trajetória justamente no encontro entre projeto, compatibilização, coordenação multidisciplinar e controle técnico. 

Para Vanessa, boa parte das perdas que surgem na obra nasce muito antes do canteiro. “Quando os projetos não conversam entre si, o problema não aparece só no desenho. Ele se transforma em atraso, revisão de compra, improviso de execução e aumento de custo. A compatibilização bem feita não é luxo técnico. Ela é proteção financeira e operacional do empreendimento”, afirma.

Entrevista com a Vanessa Lessa

Pergunta: Onde costumam surgir os principais conflitos de compatibilização?

Vanessa: Eles aparecem com frequência na interface entre arquitetura, estrutura e instalações. Quando essas disciplinas não são coordenadas desde cedo, surgem interferências que acabam sendo descobertas tarde demais, muitas vezes já durante a execução.

Pergunta: Qual é o impacto mais grave desse tipo de falha?

Vanessa: O impacto financeiro costuma ser muito forte, mas ele não vem sozinho. O retrabalho compromete prazo, desgasta a equipe, gera compras extras e afeta a confiança do cliente no processo.

Pergunta: Padronização realmente faz diferença?

Vanessa: Faz muita diferença. Padronizar não é engessar. É criar uma base técnica confiável para que as informações circulem com clareza, para que a equipe fale a mesma linguagem e para que o projeto avance com menos ruído.

Pergunta: O que separa um projeto mais seguro de um projeto vulnerável?

Vanessa: A profundidade da coordenação. Projetos mais seguros são aqueles em que a compatibilização foi tratada como prioridade estratégica, não como revisão final.

A construção civil brasileira parece cada vez mais convencida de que perdas milionárias nem sempre nascem de grandes colapsos, mas muitas vezes de erros cumulativos, silenciosos e evitáveis. É justamente por isso que profissionais com experiência real em compatibilização, BIM, padronização e gestão integrada de projetos ganham espaço como referências técnicas.





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