Brasileiros ganham espaço liderando equipes e projetos nos Estados Unidos
Com vivência prática e foco em resultados, imigrantes têm se tornado referência em obras residenciais e comerciais no mercado americano
Reprodução O setor de obras e reformas nos Estados Unidos está vivendo uma transição de perfil nas posições de liderança. Cada vez mais, imigrantes — especialmente brasileiros — vêm se destacando não apenas na execução, mas também no comando de equipes, no planejamento e na entrega de projetos.
Esse movimento tem ganhado força nos últimos anos, impulsionado por uma combinação de fatores: escassez de líderes técnicos locais, capacidade de adaptação dos imigrantes e, sobretudo, a experiência acumulada por quem começou na base e aprendeu o funcionamento completo da obra.
Bruno Lins Monteiro Setti, é um exemplo desse perfil de liderança em ascensão. Com origem operacional, Bruno evoluiu para posições de confiança dentro de empresas do setor, coordenando equipes, cronogramas e processos logísticos com foco em eficiência e entrega de qualidade.

Bruno Lins Monteiro Setti
“Liderar na construção civil nos Estados Unidos exige muito mais do que saber mandar. É preciso saber ouvir, entender a equipe, antecipar problemas e estar pronto para resolver. A experiência prática conta muito — e os brasileiros têm se destacado nisso”, afirma Bruno.
De acordo com ele, uma das maiores virtudes de líderes imigrantes é a resiliência: a capacidade de lidar com pressão, trabalhar em ambientes multiculturais e manter o foco mesmo diante de desafios estruturais.
Em empresas localizadas em estados como Connecticut e New York, Bruno acumulou experiências em projetos simultâneos, coordenando tarefas com colaboradores de diferentes nacionalidades, lidando com cronogramas apertados e expectativas altas por parte de clientes americanos.
“Aprender a se comunicar bem, com clareza e empatia, é um diferencial. Muitos brasileiros acabam virando líderes porque conseguem equilibrar a cobrança com o exemplo. Isso pesa muito no canteiro de obras”, comenta.
Estudos recentes da Associated Builders and Contractors mostram que o número de imigrantes em cargos de supervisão na construção civil cresceu mais de 18% nos últimos cinco anos. E esse crescimento vem acompanhado de um novo tipo de liderança: mais prática, mais próxima da equipe e com forte senso de responsabilidade.
Bruno aponta que um dos erros mais comuns nas empresas do setor é promover alguém tecnicamente bom, mas sem preparo para lidar com pessoas. “Saber fazer não é o mesmo que saber liderar. Por isso, é importante que os empresários invistam em formação comportamental e visão de gestão para seus futuros líderes.”
A tendência é que, nos próximos anos, o mercado valorize ainda mais os profissionais que, além de operarem bem, sabem conduzir pessoas, comunicar processos e gerar resultados consistentes. É o fim do líder autoritário e o começo do gestor participativo — e muitos brasileiros já estão preparados para esse novo momento.


