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Rio de Janeiro,30/03/2026

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Rastreabilidade e qualidade passam a definir o valor do plástico reciclado

Indústria exige controle técnico e padronização para ampliar uso de matéria-prima reciclada

Mercurios
Rastreabilidade e qualidade passam a definir o valor do plástico reciclado Reprodução

O mercado de reciclados inicia 2025 sob uma nova lógica competitiva. Se antes o principal critério era preço, hoje o que define contratos e permanência na cadeia produtiva é previsibilidade técnica. Grandes indústrias transformadoras passaram a exigir rastreabilidade, estabilidade de lote e controle de propriedades físicas como condição para ampliar o uso de matéria-prima reciclada.

O movimento acompanha uma tendência global. Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), embora a produção mundial de plásticos tenha ultrapassado 460 milhões de toneladas por ano, a reciclagem ainda representa parcela reduzida desse volume. Um dos fatores apontados para essa limitação é justamente a dificuldade de garantir qualidade consistente no material recuperado.

No Brasil, a discussão ganhou maturidade. Empresas que atuam na reciclagem passaram a estruturar melhor seus processos internos, investindo em padronização, separação criteriosa, controle de umidade e melhoria de extrusão. A rastreabilidade, antes vista como requisito burocrático, passou a ser ferramenta estratégica.

Ciro José Fedalto, empresário com atuação consolidada na reciclagem e transformação de plásticos, afirma que a valorização do reciclado está diretamente ligada ao controle de processo.

“O mercado deixou de aceitar variação sem explicação. Hoje o cliente quer saber de onde veio o material, como foi separado e quais parâmetros foram controlados. Sem isso, o reciclado não se sustenta.”

Entrevista

O que mudou na exigência do mercado nos últimos anos?

“O foco saiu apenas do preço. Hoje falamos de estabilidade e documentação. O cliente quer previsibilidade para planejar produção.”

Rastreabilidade é um diferencial ou já virou obrigação?

“Para quem quer crescer, virou obrigação. É ela que permite mostrar consistência.”

Qual o maior erro das operações que ainda enfrentam dificuldades?

“Achar que reciclagem pode funcionar sem método. Variabilidade existe, mas precisa ser controlada.”

A valorização do plástico reciclado não depende apenas de metas ambientais. Ela está ligada à capacidade de entregar padrão, reduzir incerteza e integrar a cadeia produtiva com responsabilidade técnica. Em 2025, rastreabilidade e qualidade deixam de ser diferenciais e passam a ser critérios básicos de mercado.





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