Ansiedade Infantil em Alta: Escolas e Famílias Precisam Estar Preparadas
Especialistas alertam para o crescimento de diagnósticos emocionais em crianças e a necessidade urgente de integrar estratégias de acolhimento na rotina educacional.
Reprodução O número de crianças com sintomas de ansiedade vem aumentando em ritmo acelerado nos últimos anos, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e estudos do Unicef. A pressão escolar, a superexposição às telas, a redução do tempo de lazer e a falta de escuta emocional no ambiente familiar e educacional são fatores frequentemente apontados como causas desse cenário.
Educadores e profissionais da saúde têm alertado para os impactos desse quadro no rendimento escolar e no bem-estar das crianças.

Arquivo pessoal: Letícia Gibini
De acordo com a pedagoga Letícia Gibini, que atua com desenvolvimento infantil e apoio familiar na cidade de Limeira (SP), a escola precisa ser mais do que um lugar de cobrança por desempenho. Esse ano, ela estrutura seu trabalho de maneira autônoma e inicia o projeto Feito à Mãe — iniciativa voltada ao atendimento de famílias e crianças com foco em escuta, vínculo e estratégias pedagógicas sensíveis.
“A criança ansiosa muitas vezes é vista apenas como distraída, desobediente ou desmotivada. Mas por trás desse comportamento, pode haver sofrimento não reconhecido”, afirma Letícia.
Com formação em Pedagogia e especializações na área de neuropsicopedagogia e educação emocional em andamento, Letícia já atua diretamente no suporte a crianças com dificuldades de aprendizagem e demandas comportamentais.
“É preciso que tanto a escola quanto a família olhem para a criança como um todo. Muitas vezes, uma mudança simples na rotina, como oferecer um momento de conexão ou reduzir o estímulo digital, já traz resultados positivos no comportamento e na atenção”, destaca.
A importância de estratégias emocionais no ambiente educacional tem ganhado espaço em eventos, formações e projetos pedagógicos por todo o país. Para Letícia, um dos caminhos mais promissores é justamente capacitar educadores e pais para reconhecer sinais emocionais e promover uma relação mais empática com os pequenos.
“Não é sobre diagnosticar precocemente, mas sobre compreender. Uma escuta atenta pode prevenir crises maiores, reduzir medicações desnecessárias e fortalecer vínculos que protegem a saúde emocional da criança”, conclui.
Jornalista: Clara Menezes


