Transparência na execução de obras se consolida como novo diferencial competitivo
Consumidores exigem mais previsibilidade, clareza e acompanhamento detalhado em projetos residenciais e comerciais.
Reprodução Nos últimos anos, a relação entre construtoras e clientes vem passando por uma transformação profunda. A era em que o cliente apenas aguardava o término da obra, sem informações claras sobre custos, prazos e andamento, está chegando ao fim. Hoje, o mercado exige transparência e ela se tornou um dos principais diferenciais competitivos do setor.
Segundo levantamento da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), cerca de 68% dos consumidores que contrataram obras residenciais em 2024 afirmaram que a comunicação deficiente e a falta de previsibilidade foram os principais motivos de insatisfação. O dado acendeu um alerta entre construtoras e profissionais do setor, que têm buscado modelos de gestão mais abertos e integrados.
Empresas que adotam processos padronizados, cronogramas detalhados e comunicação ativa com o cliente conseguem reduzir retrabalho, evitar conflitos e aumentar a fidelização. No segmento de obras de alto padrão, esse comportamento é ainda mais evidente: clientes que investem valores elevados esperam clareza total sobre prazos, orçamentos e qualidade dos materiais.
Para entender melhor essa mudança e o que diferencia as construtoras que se destacam, conversamos com Josiane Saquetto, especialista em gestão e atendimento personalizado à frente da Concretto Construções. Com uma trajetória que começou na indústria metalúrgica, ela aplica há anos princípios de organização e eficiência industrial à gestão de obras residenciais, conquistando reconhecimento no mercado por sua transparência e seriedade.
Segundo ela, o segredo está na organização dos processos internos. Orçamentos detalhados, cronogramas físico-financeiros e reuniões frequentes são práticas que garantem previsibilidade e eliminam surpresas. “A transparência não é apenas mostrar números, mas compartilhar decisões. O cliente precisa saber o porquê de cada escolha, cada prazo e cada investimento”, completa.
Um relatório do DataZAP+ publicado em 2025 revelou que 82% dos clientes priorizam construtoras que fornecem informações detalhadas e atualizações constantes durante a execução da obra. Além disso, 74% afirmaram que voltariam a contratar empresas que mantêm comunicação clara e cumprem prazos.
Josiane Saquetto comenta que esse comportamento é reflexo de um consumidor mais informado e exigente. “Hoje o cliente compara, pesquisa e entende o que é qualidade. Ele valoriza construtoras que explicam as etapas, entregam relatórios e mantêm canais de contato abertos. Esse nível de profissionalismo cria uma experiência mais segura e satisfatória”, destaca.
Entrevista com a especialista
Jornalista: Josiane, o que mudou na forma como as pessoas contratam obras nos últimos anos?
Josiane Saquetto: Mudou tudo. Antes, o cliente aceitava o processo sem questionar muito, confiando apenas na palavra do construtor. Agora, ele quer entender cada detalhe, acompanhar o cronograma e ter acesso aos números. E isso é positivo — porque quando o cliente participa, ele valoriza mais o resultado e evita ruídos de comunicação.
Jornalista: Como a empresa pode aplicar esse conceito no dia a dia?
Josiane Saquetto: Estruturar a empresa com base na gestão e na previsibilidade. Cada cliente passa a receber orçamentos completos, prazos realistas e acompanhamento contínuo. Manter reuniões periódicas e relatórios de andamento que deixam tudo documentado. A transparência precisa ser parte da cultura da empresa, não é um recurso pontual, isso é um princípio.
Jornalista: Essa abertura também ajuda a fidelizar o cliente?
Josiane Saquetto: Com certeza. Quando o cliente sente segurança, ele não apenas finaliza satisfeito, mas indica e retorna. É o que acontece conosco na Concretto. A confiança construída durante a obra é o que gera novos negócios. No fim, transparência é sinônimo de credibilidade.
A transparência na execução de obras deixou de ser diferencial e passou a ser exigência. Construtoras que ainda operam sem processos claros tendem a perder espaço para empresas que colocam o cliente no centro das decisões.


