Inteligência Artificial transforma rotinas corporativas e exige novo modelo de formação profissional
Mercado aponta necessidade de integrar competências emocionais e digitais para preparar equipes para tecnologias avançadas
Reprodução A expansão da Inteligência Artificial nas empresas segue acelerando transformações profundas no ambiente de trabalho. Relatórios divulgados pelo Gartner, McKinsey e pelo World Economic Forum (WEF) desde 2023 indicam uma tendência clara: as organizações estão incorporando IA para automatizar tarefas, apoiar decisões estratégicas e reorganizar fluxos operacionais. Ainda que adotem ritmos diferentes, todas essas fontes concordam que o impacto é amplo e contínuo.
O WEF Future of Jobs Report já apontava que habilidades humanas, como pensamento crítico, colaboração e regulação emocional, se tornariam tão importantes quanto a proficiência em ferramentas digitais. Em 2024 e 2025, essa previsão se materializou. Empresas que investiram somente em tecnologia perceberam que a adaptação das equipes depende tanto da formação técnica quanto da maturidade emocional para lidar com mudanças frequentes.
Alexandre Lima Lourenço, especialista em tecnologia Apple, com trajetória construída entre suporte técnico, formação corporativa, liderança de equipes e capacitação de milhares de alunos em programas de inclusão digital, Alexandre observa de perto a evolução das competências exigidas pelo mercado.
Segundo o especialista, o maior desafio não é a IA em si, mas a forma como as equipes reagem ao seu uso: “A tecnologia avançou muito rápido, mas a preparação emocional das pessoas não acompanhou no mesmo ritmo. A IA não cria desorganização, ela apenas revela o que já existe. Sem equilíbrio emocional e clareza de processos, qualquer implementação se torna estressante e pouco eficiente.”
ENTREVISTA — Alexandre Lima Lourenço
Jornalista: Qual é o erro mais comum das empresas ao implementar IA?
Alexandre: Achar que tecnologia resolve tudo. IA sem clareza emocional e sem cultura gera ansiedade e confusão. Ela deve vir acompanhada de diálogo, organização e liderança madura.
Jornalista: Como preparar equipes para esse novo cenário?
Alexandre: O primeiro passo é educar. Ensinar o que a IA faz e o que ela não faz. Depois, desenvolver habilidades emocionais para lidar com mudanças constantes. Por fim, treinar tecnicamente para que as pessoas tenham segurança ao usar as ferramentas.
Jornalista: A IA ameaça empregos?
Alexandre: Não ameaça quem está disposto a aprender. Ela substitui tarefas, não pessoas. O profissional que une comportamento e técnica continuará sendo essencial.
A Inteligência Artificial já não é promessa futura, tornou-se uma força estruturante do ambiente corporativo. No entanto, seus resultados dependem menos das máquinas e mais da capacidade humana de utilizá-las com clareza, equilíbrio e propósito. Organizações que compreendem esse movimento criam ambientes mais adaptáveis, produtivos e inovadores.
A mensagem dos especialistas é consistente: a formação profissional precisa integrar tecnologia e inteligência emocional para preparar pessoas para o mundo que está se consolidando.


