Open Finance impulsiona integração entre bancos e startups de tecnologia
Interoperabilidade e segurança digital definem a nova era dos serviços financeiros na América Latina.
Reprodução O Open Finance consolida-se como um dos movimentos mais relevantes do sistema financeiro no Brasil e influencia agendas semelhantes na região. Após a implementação das primeiras fases do Open Banking no Brasil, bancos e startups de tecnologia passam a intensificar a integração de sistemas, dados e serviços por meio de APIs padronizadas, criando um ecossistema mais competitivo, transparente e orientado ao cliente.
Dados divulgados pelo Banco Central do Brasil ao longo de 2022 indicam que muitos consentimentos ativos já são registrados nas plataformas de Open Banking, sinalizando adesão crescente por parte de instituições financeiras e consumidores. O modelo amplia o compartilhamento de dados financeiros de forma autorizada, permitindo o surgimento de novos produtos, maior personalização de serviços e redução de barreiras de entrada para fintechs.
Esse avanço, no entanto, traz consigo desafios técnicos e regulatórios significativos. A ampliação do fluxo de dados sensíveis exige arquiteturas robustas de segurança, capazes de garantir autenticação forte, controle de acesso, rastreabilidade e conformidade com legislações de proteção de dados. Em um ambiente altamente regulado, interoperabilidade e segurança tornam-se inseparáveis.
Com experiência direta em projetos de Open Finance, integração bancária e segurança digital, Klyff Harlley Ferreira Toledo acompanha esse movimento a partir da prática. “O Open Finance não é apenas abrir dados. É criar uma infraestrutura onde cada chamada de API, cada consentimento e cada transação possam ser verificados, auditados e protegidos”, analisa Klyff. Para ele, a maturidade do ecossistema depende da adoção consistente de padrões de segurança desde a origem dos projetos.
Em 2022, conceitos como autenticação mútua, gestão de identidades, políticas de menor privilégio e monitoramento contínuo passam a fazer parte do vocabulário comum entre equipes técnicas de bancos e fintechs. A integração deixa de ser apenas funcional e passa a ser governada, com requisitos claros de compliance e auditoria.
A relação entre instituições tradicionais e startups também evolui. Bancos reconhecem a agilidade das fintechs, enquanto startups passam a compreender as exigências regulatórias e operacionais do setor financeiro. Essa aproximação cria um ambiente colaborativo, no qual inovação e conformidade caminham juntas.
Na avaliação de Klyff, o maior erro seria tratar o Open Finance apenas como projeto de curto prazo. “Estamos falando de uma mudança estrutural. Se a segurança não for pensada desde o início, o custo de correção depois é muito maior, tanto financeiramente quanto em termos de reputação”, alerta.
O Open Finance deixa de ser experimento e assume papel estratégico na agenda de transformação digital do sistema financeiro latino-americano. A integração entre bancos e startups, sustentada por interoperabilidade e segurança digital, aponta para um novo modelo de serviços financeiros, mais aberto, competitivo e orientado à confiança.


