Impacto Social da Odontologia: Projetos Comunitários Levam Saúde e Educação a Populações Vulneráveis
Iniciativas voluntárias transformam realidades em regiões periféricas e comunidades indígenas, ampliando acesso à prevenção e reabilitação.
Reprodução A discussão sobre o papel social da odontologia volta a ganhar destaque no Brasil. Com o aumento da desigualdade de acesso à saúde, projetos comunitários têm assumido uma função essencial para levar atendimento, educação e prevenção a populações vulneráveis. Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 11 milhões de brasileiros ainda não têm acesso regular a atendimento odontológico básico, número que reforça a importância de iniciativas voluntárias e da atuação de profissionais comprometidos com a transformação social.
Nos últimos anos, diversas campanhas de atendimento gratuito em regiões periféricas e ribeirinhas se consolidaram como pontes de inclusão. Essas ações não apenas restauram a função mastigatória e a estética, mas também devolvem autoestima e qualidade de vida a pessoas que, muitas vezes, nunca haviam passado por um dentista.
Entre os profissionais que se destacam nesse movimento está o cirurgião-dentista André Luiz Peres Arashiro, que há mais de 18 anos atua na odontologia clínica e cirúrgica, com passagem por projetos de voluntariado em comunidades da Amazônia e em regiões carentes do estado de São Paulo. Nessas frentes, ele integrou equipes multidisciplinares responsáveis por atendimentos emergenciais, cirurgias básicas, restaurações e atividades educativas voltadas à prevenção.
“A odontologia vai muito além do consultório. Quando conseguimos chegar a comunidades isoladas, mostrando a importância da escovação, da alimentação equilibrada e do acompanhamento preventivo, estamos plantando uma semente que muda o futuro dessas pessoas”, afirma Arashiro.
O profissional explica que o impacto desses projetos é multiplicador. Em uma única expedição voluntária, uma equipe pode atender centenas de pacientes e orientar escolas inteiras sobre saúde bucal. “Levar conhecimento é o primeiro passo para quebrar o ciclo da dor e da negligência. A educação em saúde cria autonomia, e a autonomia gera mudança duradoura”, reforça.
As ações voluntárias não apenas reduzem índices de cárie e doenças periodontais, mas também inspiram jovens profissionais a adotar uma visão mais humanizada da odontologia. Faculdades e institutos têm incorporado atividades sociais em seus programas, promovendo o contato direto dos alunos com comunidades carentes. Essa integração entre ensino e impacto social tem formado uma nova geração de dentistas comprometidos com propósito e empatia.
Além da atuação em campo, André Arashiro também lidera iniciativas locais de prevenção e conscientização em sua clínica multidisciplinar no Grande ABC, onde promove atendimentos e palestras em parceria com ministérios e instituições religiosas. Nessas ações, o foco é oferecer orientação sobre higiene bucal e detecção precoce de doenças orais, aproximando a população de serviços de saúde acessíveis e confiáveis.
Entrevista com o especialista – André Luiz Peres Arashiro
Jornalista: Dr. Arashiro, como o senhor vê o papel da odontologia no contexto social brasileiro atual?
Arashiro: A odontologia tem poder de transformar vidas. Em regiões de vulnerabilidade, o acesso ao dentista é quase inexistente. Quando conseguimos atender essas pessoas, tratamos a dor, devolvemos o sorriso e, mais importante, mostramos que elas têm valor e direito à saúde.
Jornalista: Essas ações podem gerar efeitos duradouros nas comunidades?
Arashiro: Sem dúvida. Quando educamos uma criança ou uma família sobre prevenção, estamos mudando hábitos que impactarão gerações. É um investimento humano e social de longo prazo.
Jornalista: O que o motiva a continuar participando dessas iniciativas?
Arashiro: Servir é uma forma de retribuir. A odontologia me deu tudo — e acredito que devolver isso em forma de cuidado é a melhor maneira de exercer a profissão com propósito.
O exemplo de profissionais como André Arashiro mostra que a odontologia social é um dos caminhos mais eficazes para reduzir desigualdades e promover saúde integral. O sorriso, nesse contexto, deixa de ser apenas uma questão estética e se torna símbolo de dignidade, inclusão e esperança.


