Manutenção inteligente: como a predição e os dados estão transformando a indústria 4.0
Empresas apostam em sensores, inteligência artificial e gestão preventiva para reduzir falhas e elevar a produtividade dos parques industriais.
Reprodução Com o avanço da chamada Indústria 4.0, empresas industriais, de manufatura pesada a unidades de energia e gás, vêm adotando modelos de manutenção baseados em dados e predição de falhas. O objetivo é reduzir o tempo de inatividade não planejado, evitar custos elevados com reparos emergenciais e aumentar a produtividade. Estudos recentes apontam que o mercado global de manutenção preditiva deve crescer de cerca de US$ 10,93 bilhões em 2024 para valores bem maiores nos próximos anos.
A lógica é simples: em vez de esperar que um equipamento falhe ou fazer manutenção preventiva em intervalos fixos, o que muitas vezes significa intervenções desnecessárias —, a manutenção preditiva baseia-se em sensores, dados em tempo real, análise inteligente (big data / IA) e gestão ativa de ativos.
Para detalhar como essa transformação se aplica na prática e quais os impactos para a indústria brasileira, conversamos com o engenheiro especializado em automação e eficiência energética Michel de Oliveira Barboza.
Relatórios recentes indicam que a adoção de manutenção preditiva em ambientes industriais pode reduzir custos operacionais em até 30%, diminuir o uso de peças sobressalentes e reduzir o tempo de paradas inesperadas, um trunfo em um contexto de alta competitividade e pressão por produtividade.
Michel explica que, em sua trajetória profissional, já identificou várias situações em que equipamentos operavam fora de condição ideal por tempo prolongado, gerando consumo excessivo, riscos estruturais e paradas não programadas. Com a adoção da manutenção inteligente, esses problemas perdem espaço.
"Quando instalamos sensores e sistemas de monitoramento contínuo, conseguimos enxergar além do óbvio. Vibrações sutis, aumento gradual de temperatura ou variações elétricas servem como sinais de alerta. Intervenções baseadas nesses dados reduzem custos e aumentam a confiabilidade dos ativos", afirma.
Ele destaca também que essa abordagem exige planejamento estratégico: não basta instalar tecnologia, é preciso mapear criticidade dos equipamentos, definir KPIs de desempenho e integrar a manutenção ao planejamento operacional da empresa. Quando isso acontece, a manutenção deixa de ser custo e se torna parte da eficiência e sustentabilidade da operação.
Para ele, a adoção da manutenção inteligente representa uma evolução natural para empresas que buscam longevidade e competitividade: "A indústria 4.0 não é apenas automação, é inteligência aplicada. Quem entende isso transforma um parque industrial em um sistema resiliente, capaz de antecipar problemas, responder com agilidade e operar com máxima eficiência."
Entre os ganhos frequentemente citados por indústrias que implementam manutenção preditiva estão: aumento da disponibilidade dos equipamentos, redução de custos com reparos emergenciais, menor necessidade de estoque de peças sobressalentes, prolongamento da vida útil dos ativos e menor consumo energético em operações estáveis.
A manutenção inteligente como diferencial da indústria do futuro
A manutenção inteligente, apoiada por dados, sensores e inteligência artificial, representa um passo decisivo na transformação da indústria moderna. Com ela, indústrias ganham eficiência, previsibilidade e sustentabilidade, reduzindo desperdícios, evitando falhas e elevando a produtividade.
Profissionais como Michel de Oliveira Barboza, com experiência concreta em automação, manutenção e energia, mostram que essa transição é não apenas possível, mas urgente. O investimento em tecnologia e gestão de ativos não é luxo: é estratégia para quem deseja liderar num mercado competitivo e exigente.


