Gestão por dados se torna prioridade nas decisões estratégicas de grandes empresas
Executivos utilizam métricas integradas de desempenho e indicadores de margem para tomar decisões mais rápidas e precisas em ambientes voláteis.
Reprodução Levantamento recente da Deloitte Brasil (“Data-Driven Decision Making Report 2025”) mostra que 81% das empresas brasileiras consideram o uso de dados um diferencial competitivo essencial. O mesmo estudo revela que organizações com políticas maduras de análise e governança da informação têm 36% mais eficiência operacional e 25% mais precisão nas previsões financeiras. O avanço da automação e da inteligência analítica transformou a forma como os executivos interpretam os números e reagem às mudanças de mercado.
A trajetória consolidada em cargos executivos em companhias multinacionais, José Mário Segundo, destaca que o diferencial competitivo das organizações está na forma como interpretam e aplicam seus dados.
“A informação deixou de ser apenas um registro contábil e passou a ser parte da estratégia. Empresas maduras entendem que o dado precisa gerar ação. Ele é o ponto de partida para decisões mais rápidas, consistentes e conectadas com a realidade do negócio”, disse José.
Segundo o especialista, o uso de métricas integradas é essencial para manter a rentabilidade em mercados instáveis. “Indicadores de margem, produtividade e eficiência operacional precisam conversar entre si. Quando o gestor entende a relação entre eles, consegue ajustar rotas rapidamente, evitar desperdícios e preservar a saúde financeira do negócio”, continua.
Entrevista com o especialista
Pergunta: Quais são os principais erros que as empresas ainda cometem ao adotar a gestão baseada em dados?
José Mário: O erro mais comum é usar os dados de forma fragmentada. É preciso entender que eles contam uma história e só fazem sentido quando analisados em conjunto. Outro equívoco é deixar a análise restrita ao setor financeiro. Toda a organização deve compreender o impacto dos indicadores, do comercial à operação.
Pergunta: De que forma o uso de dashboards pode ajudar no dia a dia das lideranças?
José Mário: O dashboard é uma ferramenta poderosa porque traduz informações complexas em algo visual e objetivo. Ele permite que o gestor tome decisões em tempo real e com base em fatos. Mas o diferencial está na consistência das métricas, o dashboard só é útil se os dados forem confiáveis e estiverem alinhados à estratégia.
Pergunta: Como equilibrar tecnologia e sensibilidade humana nesse processo?
José Mário: Os dados orientam, mas quem decide é o líder. A tecnologia oferece clareza, mas a interpretação exige visão e experiência. O papel da liderança é transformar informações em ação e isso requer sensibilidade para entender o contexto e o impacto das decisões sobre as pessoas.
Com a consolidação da cultura data-driven, o papel do gestor moderno evolui para o de tradutor de informações. Mais do que dominar relatórios, ele precisa interpretar tendências, conectar números à estratégia e agir com rapidez diante de mudanças.


